Postado em 18 fevereiro 2016 às 18:40

Acabando com o bloqueio criativo


Por Danielle Barbosa




Escrever um livro é como construir uma pirâmide de cartas: é preciso paciência, dedicação e, acima de tudo, persistência. Lidar com o bloqueio criativo não é fácil, especialmente quando a insegurança e o perfeccionismo agem como uma ventania contra a sua pirâmide mental.

Muitos desistem antes de chegar ao topo, assumindo a impossibilidade de continuar quando os ventos não estão favoráveis. Eles guardam o baralho e compram um novo - e fazem isso repetidamente até desistirem de construir pirâmides de uma vez por todas.

Metáforas à parte, o ponto crucial da questão é: não desista de escrever. Mesmo se achar que a história não está se desenvolvendo bem, mesmo que sua mente grite "isso está um lixo!", mesmo se alguém criticá-lo ou desanimá-lo, acredite que se você começou a escrever é porque gosta. E gostar de escrever já é motivo o suficiente para continuar a escrever. O único sopro que pode derrubar a sua pirâmide de cartas é aquele que vem da sua própria boca.

Afinal, como acabar com o bloqueio criativo?

Cada autor possui seus métodos pessoais, mas separamos algumas formas inusitadas para estimular sua criatividade e inspiração:

  1. Dê uma pausa; O cérebro precisa descansar. A inspiração raramente é contínua e necessita de pausas para se reestruturar.
  2. Ocupe a cabeça com outras coisas (filmes, séries, redes sociais, músicas, livros);
  3. Pesquise no Youtube trilhas sonoras de trailers e imagine um trailer para o seu livro como se fosse um filme; Pelo incrível que pareça, essa tática é extremamente útil para estimular a imaginação. É inevitável que autores escrevam as cenas visualizando imagens como em um longa metragem. Selecione uma trilha sonora de trailer que corresponda ao gênero do seu livro: ação, drama, romance, fantasia, e assim por diante.
  4. Tome um banho relaxante; Cante no banho, fale sozinho, coloque a cabeça debaixo da água e deixe a negatividade escorrer pelo ralo.
  5. Imagine cenas fictícias com os seus personagens e "atue" essa cena (mesmo se não for colocá-la no livro); Você parecerá um maluco? Provavelmente. Um autor não deixa de ser um artista e imaginar-se no papel de um de seus personagens pode trazer insights inesperados. Entre em uma discussão com o vilão, ou seja o vilão! Faça uma declaração de amor, um monólogo existencial ou qualquer atuação condizente ao seu livro.
  6. Pegue um livro qualquer e abra em uma página aleatória. Veja as primeiras palavras que iniciam os parágrafos e tente iniciar o seu parágrafo a partir de uma delas; Às vezes o bloqueio não é de ideias, mas de vocabulário. O autor sabe o que deseja escrever, porém não consegue colocar em palavras. Essa tática servirá como um "empurrãozinho" para iniciar o parágrafo.
  7. Escreva diferentes sinopses para o mesmo livro; Encare-as como sinopses pessoais do autor. Não precisa se preocupar em deixá-la bem escrita ou bem elaborada. O propósito dessa sinopse é dar um norte ao autor, um resumo do que o livro se trata e qual o seu objetivo, seu foco.
  8. Note as pessoas ao seu redor, a personalidade delas, os comportamentos, desde as coisas que lhe agradam até aquelas que o irritam profundamente; Às vezes a inspiração está nas pessoas que você nem conhece. Um sorriso de um estranho, uma briga na rua, uma pessoa excêntrica, uma discussão no metrô, qualquer detalhe ou acontecimento poderá ajudá-lo a ter novas ideias.
  9. Escreva em outro lugar; Pode acontecer do bloqueio criativo estar ligado ao local onde o autor escreve. Vá até uma cafeteria, uma lanchonete, escreva no próprio celular ou em um bloquinho de notas, ou mude do quarto para a sala de estar.
  10. Desenhe uma linha do tempo para estabelecer o começo, meio e fim da história; Um dos maiores perigos de um autor é perder o fio da meada. A linha do tempo é a melhor forma de entender o propósito e o fim da sua história. Dessa forma, você evitará aquele ponto em que pára e pensa "Puts, e agora?".
  Acima de tudo, não abandone a sua obra. Modifique-a, crie situações novas, apresente novos personagens, mude completamente o rumo da trama... mas não a deixe no limbo das histórias perdidas. De nada adianta comprar um baralho novo cada vez que a pirâmide de cartas cair.   Texto por: Danielle C. Barbosa